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INÊS MARTO

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"Pessoas, pessoas por este mundo além…" | André Mendonça

 

Fonte: https://jessiaconstantino.atavist.com/were-all-equal
 
 
Nota: Este é um texto de reflexão e introspecção paradespertar consciência.

 

Pessoas, pessoas por este mundo além… Alguém faz ideiade como se pode conhecer pessoas com cabeça, com conteúdo, hoje em dia? Ondeandam as pessoas boas?
Num mundo em que as apps são oprincipal sítio onde as pessoas se conhecem, vivemos num mundo de valores todostrocados, o acto de conhecer os amigos dos amigos parece que desapareceu...
 
Só muito de vez em quando se conhece alguém decente, mas oque costuma acontecer normalmente é conversa de aparências, e na realidade e navida real a pessoa é outra… 
 
Falo com imenso conhecimento de causa! Já experimentei etestei imensas apps de encontros (Tinder,Badoo, Grindr, Hornet, Surge, Scruff, Happn, Bumble, Manhunt, GayRomeo, Gaydar,Moovz, Feeld, OkCupid, BoyAhoy e Bro) e tenho informação suficiente para fazerum mestrado/doutouramento nesta matéria!
 
Em mais de um ano de uso só fiz um VERDADEIRO amigo por lá,por mero acaso. Vivemos num mundo onde tenho de falar com pessoasnão-portuguesas para ter RESPEITO por quem sou, pela minha identidade de género(transfemenino) e condição médica (paralisia cerebral). Passa-se de um"ser atraente" para uma pessoa marginalizada...

Mais de 99% do pessoal nas apps está mais voltado para #agora #sexo #brincarcomsentimentos #usaredeitarfora #masc4masc #discretos #bear4bear #gym4gym #gympartner #nofemmes #nodivas #nocouples #nodisabled #foradomeio #heterocurioso #etc..." é para mostrar várias formas inocentes de descriminação camuflada em "preferências"
 
É horrível esse preconceito todo vindo da própriacomunidade!
 
O ano de 2018 começa da melhor forma. Estou na mais recenteedição da revista Vogue Portugal a dar visibilidade com o meutestemunho enquanto pessoa Trans (transgénero, queer, não binário, génerofluido, andrógino, transfeminino). Fazer a diferença. Um mundo melhor.Liberdade para ser se nós próprios. Sem filtros. [Assista ao vídeo clicando aqui]
 
O mundo precisa de mais pessoas assim!
 
Estou num artigo sobre pessoas Trans. Custa muito lutar,ultrapassar barreiras, dar o primeiro passo expor-se em prol dos outros e verque o esforço e dedicação são em vão...
 
A esmagadora maioria das pessoas que já conheci não é capazde ter respeito pela pessoa que sou, sem ter algum problema com o ser Pessoa:ser gay assumido ou ser transgénero ou ter paralisia… muitos consideram que, aocomeçar a afirmar-me, que deixei de ser eu, de ter as minhas qualidades, osmeus valores, os meus ideais, os meus interesses.
 
 
 
Qual a probabilidade de descobrir alguém, para além do meuatual parceiro, que: 
 
* respeite os meus ideais, crenças e convicções;
 
* respeite a minha orientação sexual
 
* respeite a minha identidade de género, a minha dualidade ea minha feminidade;
 
* respeite o facto de eu ter deficiência e as implicaçõesque isso traz;
 
* respeite o eu considerar-me poliamoroso assim como o meuparceiro e não há nada de errado com isso, não, não somos aliens;
 
* respeite e compreenda os traumas que eu tenho devidoao meu passado, pois não o escolhi
 
* respeite a minha situação socio-económica
 
O resultado desta “multiplicação de probabilidades” de umponto de vista matemático, dá um número fantástico, perto de zero. (risos)
 
 
 
É grave isto estar-se a tornar numa comunidade assim, e éainda mais triste só conseguir aceitação de pessoas estrangeiras. 
 
Para além de não poder contar com a minha família de sangue,perdi 99% dos amigos ao sair do armário enquanto pessoa T, fogem de mim por tera coragem de ser eu mesmo, ou então atacam-me. Rejeitam-me por tudo e pornada, por ter o cabelo comprido, por ser feminino, por ter PC (ParalisiaCerebral), etc. 
 
Respeito e Aceitação = ZERO!
André Mendonça
 
 
Mal vêem uma foto minha deixam de me falar, não há quemconsiga ter a capacidade e dar-se à oportunidade de me conhecer enquantopessoa, enquanto humano. Porque aí sim vão conhecer a verdadeira pessoa que soue surpreender-se.
 
Uma mensagem a todas as pessoas que estiverem a ler isto etem algum tipo de complexo com alguém como eu: “Sou Pessoa, Sou Humano, SouVálido, tenho Orgulho em mim. Sou bem resolvido. Sabem qual é o vosso problema?Falam demais. Não se respeitam nem se aceitam a si próprios, são machistase tudofóbicos, por favor parem de atacar os outros.”
 
Já tive "ex-amigos” (questiono-me se alguma vez comopude ser amigo de pessoas assim), a dizerem que não saem comigo por eu estar ausar um vestido. A comunidade não consegue (no geral) respeitar quem é"diferente", quem foge à regra, quem desafia os padrões do quequer que seja, ser visto como activista também não é olhado com bonsolhos, nem há espaço pra isso. A essência das pessoas deveria sempre prevalecere sobrepor-se a tudo o resto...mas o mundo já não é assim!!!
 
 
 
Custa-me não ter vida social (complicado quer pela falta deamigos/interação social e por os ambientes que existem para esse efeito serembem transfóbicos, normativos e machistas) não ter praticamenteamigos, fazer tudo aquilo que alguém da minha idade faz... Não me sinto a vivere aproveitar de forma consciente e correcta os meus vintes anos.. muitas dasvezes sinto-me com 30 e poucos anos quando só tenho ainda 21 e muito pelafrente para viver...
 
Há imensa falta de empatia, entreajuda, união. É duro, muitoduro ter de ultrapassar diversas tantas barreiras e desafios para poderconcretizar algo básico, que muitos até podem não dar valor. Mas para mim podesignificar o universo. 
 
Tem de haver muito mais consciência da complexidade e pesoque se atribui aos problemas, eu tenho 99 problemas e a paralisia cerebral é sóum deles.
 
André Mendonça. Vogue . Janeiro 2018.
 
 
Sabem o que é ter o dia a dia numa luta constante?  Hádias em que desejava ter um pouco de paz e uma lufada de ar fresco e ondearranjar forças para levantar o queixo, para lutar sorridente sem ter sempre umnovo problema a surgir atrás de outro e irem-se acumulando…uma pequena grandebola de neve…
Saiamtambém da cave do preconceito, do conservadorismo, dos estereótipos, e fechem aporta a sete chaves com as fobias lá dentro!
 
Estamos em 2018, espalhem AMOR, por favor.
 
 
 
 
 
André Mendonça
 
Texto editado e sujeito a algumas alterações para efeitos de publicação.

 

A mermaid at heart

Wednesday night. One like many others. Me going through some La Cage aux Folles videos while trying to write some due projects. When a dear friend sends me a music video. Which leads to a performance video of Pink's "Try". Chat rolls on and we get to talking about dance and body expression.
As weird as it may seem, able-bodies (for the lack of a better term) utterly fascinate me.
Having CP since, well, ever, I always wondered how does it feel to simply command your body and have it do what you intend to without any unpredictabilty. Maybe that's why dance fascinates me so much.
We, the ones with cerebral palsy, are ironically control freaks. Because we have to be. We have to study our steps, predict our movements, develop our strategies, and get to bullet proof level with a handfull of alternative plans in case it all fails, because our body suddenly decides what we have done 100 times won't work today.
So I always wondered how liberating it must feel not having to make a detailed draft of mostly everything in order to survive. I feel we are indeed always in survival mode.
Personally, it would be a major game change to have a cerebral palsy simulator for my friends to try, because it is sometimes impossible to put into words our physical way of existing. CP bodies, to different degrees of course since it varies so much individually, are always under some kind of tension. Specially spastics like me.
I've recently discovered Gregg Mozgala, an actor with CP, who was in a very interesting (to say the least) project called Enter the Faun, in which the coreographer Tamar Rogoff used shaking and body scripting, two techniques she developed for her dancers. The first one to release trapped body tension, and the second one to promote body awareness by having movement translated into a word script. And once applied to a CP body it had absolutely outstanding results. Allowing Gregg to move like never before, and allowing him to explore himself to physical dephts he had never previously been able to. (This video illustrates the techniques and results very well).
All this got my head spinning around the body awareness theme.
I stopped physical therapy by the age of 15. Having started it before I was 1 year old. Mainly because I wanted to live. Mainly because I was tired of pain. There was not much more to do. Maybe a new way of stretching, maybe holding a cube instead of a ball while taking steps... maybe two or three more things that in the long run changed virtually nothing. I had come a long way and was happy with it. The rest was about maintenance. And above all the rest was about inventing my own ways to have my body cope with me to achieve what I want - and this is something no therapy ever taught me: creativity and persistance. Which was what I felt I needed the most, way more than painful routines.
I hadn't yet learned what ableism was, though - the disability being viewed as something to be corrected, if possible through medical intervention -  And how I disagreed with it. To me, I was just trying to live my way. It wasn't untill recently, very recently indeed, that I developed my own opinion about CP and how I'd rather learn it and play through it instead of attempting to erase it (as stated in this article).
But, all this being said, I still feel a lack of self-exploration. Exactly for that matter, in order to be able to learn CP's padrons and play through them, I must explore it deeper, I must test its limits. And I have yet to find a method of doing so (the closest to date being Tamar's approach, which I didn't find a way to do in Portugal any time soon)... or have I?
I've also recently stumbled upon Leandrinha Du Art, a completely amazing being, a trans rights activist, artist, youtuber and icon who also happens to ride wheels. And I discovered a wonderful text on her blog, in which she views herself as a mermaid.
And all this came together to finally hit me. Maybe it wasn't random, me as a toddler wanting to be a mermaid. Maybe it wasn't random sitting there by the sea waiting for my fins to grow and set me free. Maybe it wasn't random that I discovered my safe haven and my ex libris both being the ocean, and the times when I am alone swimming being the ones when I get the best artistic ideas, either. I do have a way to explore myself and set me free, and it is by becoming what I am in my core: a mermaid. My first school performance was even Part of Your World, when I was 3, for Heaven's sake, this was meant to be.
I have a unique freedom and sensibility when in the water. And it is undeniable that it allows me to explore myself in ways that I could never otherwise. Not only can I walk independently, but I  have even discovered I am able to jump, how cool is that? Maybe it wasn't random either that my wildest dreams once were to dance in a giant aquarium on stage...
Maybe I am a mermaid born with the wrong body, and all I have to do is just keep swimming my way and refuse to sink!