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INÊS MARTO

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Opinião: Speechless (Temporada 1)


Acabei ontem de ver a primeira temporada do Speechless. E para ser sincera já sinto falta. Descobri a série por causa da Robyn Lambird, de quem falei num post anterior, e também do Zach Anner, de quem obviamente precisamos de falar aqui também.

O Zach é um dos youtubers mais engraçados que descobri, que por acaso também tem paralisia cerebral e mostra-a de formas genialmente cómicas. Não vou dar spoilers, vejam por vocês mesmos, no canal dele, de nada.

Curiosidade: O Zach acabou por entrar num episódio, no papel de, usando as palavras da Maya DiMeo, JJ do futuro. Aqui está o vídeo dele sobre a série:
Falando de um ponto de vista pessoal, tenho que referir que nunca vi nenhuma série com uma personagem de cadeira-de-rodas antes, tirando o Glee, lembrei-me agora.  E quanto ao Glee, tenho que dizer que pessoalmente penso que o Artie ficou muito pela rama e foi mal aproveitado no enredo.
A diferença aqui é principalmente a maneira como a série foi construída, eu acho. A forma como a paralisia do JJ está sempre lá, mas ao mesmo tempo é uma coisa tão habitual que quase se torna parte do pano de fundo, a não ser que algum (frequente) desafio apareça.
E, sejamos realistas, isto é tão brilhante porque se liga a nós, por ser mesmo assim que as nossas vidas são, tendo paralisia. Para mim, está tudo muito realista. E é precisamente tão engraçado por ser tão verdade.
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Outra coisa que tenho que apontar é como comecei a notar que por ver frequentemente o JJ e os padrões típicos da paralisia nele, movimentos espásticos e expressões faciais, enquanto o achava tão engraçado e querido (ele até usa isso para sua vantagem), começou a crescer um indutor de auto-estima enraizado em mim.
Através de mais e mais observação por meio de outros, os traços típicos da paralisia estão lentamente a tornar-se coisas que eu considero que nos tornam únicos e nos dão uma individualidade do caraças... e também tenho que admitir que aprender a usar a fofura como estratégia me pode vir a ser muito útil, obrigada JJ DiMeo!
Obviamente o facto de que o Micah Fowler que interpreta o JJ tem mesmo paralisia cerebral torna isto ainda melhor, porque ele é "dos nossos", sabe realmente como são as coisas. E devo dizer que se lhe tira o chapéu como actor. Mesmo estando numa parte diferente do espectro, menos severa que a do JJ, alterou a fisicalidade por forma a encarnar o personagem, não se limitando a generalizar a paralisia pelo facilitismo daquilo que já tem como seu. É um papel muito bem desempenhado e nada fácil, ter resultados tão cómicos usando apenas expressões faciais.
Imagem relacionadaMaya, interpretada por  Minnie Driver, a mãe das "necessidades especiais", é completamente hilariante, e mesmo sendo um bocadinho extrema, no mínimo, há muitas situações verdadeiras que nos traz, que nos fazem identificar com a nossa própria situação familiar de certeza em algum ponto.Mas não é só sobre a parte da identificação inerente. As diferenças também tornam a série muito interessante, e bastante indutora de reflexão, pelo menos pessoalmente por me colocar num suponhamos de cenários opostos ao meu. Por exemplo o pai, Jimmy (John Ross Bowie), e a sua constante negação emocional juntamente com uma tendência para acumular (lixo alheio) compulsivamente, que contrastam flagrantemente com a maternalidade e protecção exacerbada da sua mulher. Mason Cook, que dá vida a Ray DiMeo, toca tópicos importantes como a partilha (ou falta) de atenção dos pais ou as preocupações com o futuro do irmão JJ, conjugados com a sua ansiedade constante e situação romântica desesperada, frequentemente gozado pela sua irmã Dylan (Kyla Kenedy), uma obcecada por vencer e uma jóia sarcástica. Kenneth (Cedric Yarbrough) é a cereja no topo do bolo. Se o facto dele da noite para o dia passar de jardineiro da escola para ajudante do JJ sem qualquer tipo de experiência prévia não promete só por si, deixem-me dizer-vos que ele é o compincha e alívio cómico de, bem, toda a gente na família mesmo.
Acima de tudo achei o Speechless uma série cómica muito boa, com ou sem o tema da paralisia a ser tido em conta. Mas tê-lo representado de uma forma tão natural, sem todo o ritual da vitimização e da pena, acho que nos vai ajudar a todos a destruir estereótipos. E inesperadamente, como disse, não só mudar a sociedade, como talvez também ajudar alguns de nós a nos aceitarmos melhor, como os raios os parta tão fofos e afinal não tão limitados assim que realmente somos, e isso é um dos melhores bónus que podíamos pedir!
 

Opinion: ABC's Speechless (season 1)

 
I've just yesterday finished watching ABC's Speechless. And to be honest, I already miss it. I discovered it because of Robyn Lambird, the youtuber girl I've mentioned in a previous post, and also Zach Anner, who we obviously need to talk about here as well.
So, Zach is one of the funniest youtubers I've come across, who also happens to have CP and features it in genious comedic ways. I won't give you spoilers. Check himself out, here's his channel, you're welcome.
Fun fact: Zach ended up making an appearence on the show as - putting it in Maya's words - future JJ.
Here's Zach's video on it:
 
Speaking from a personal point of view here, I must say I had never watched any series before where a charatcter on a wheelchair was portrayed, appart from Glee, I just remembered. And as for Glee, I must state here that I personally think Artie was really undevelopped and underrated.
What's different here though is mainly the way the series is constructed, I think. The way JJ's CP is always there, but at the same time it is such an usual situation, it almost becomes a background matter, unless some new (frequent) challenge comes up.
And, lets face it, the brilliant part of this, is how it actually ressonates with how our daily life goes, having CP. It's all very real to me. And so funny because it actually is so true.
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Another thing I must point out too, though, is how I came to notice that by frequently watching JJ and his cerebral palsy padrons, spastic movements and facial expressions while finding him so funny and cute (he even plays that to his advantage), there started to grow, let's call it a self esteem boost imprinted in me.
By more and more observation through others, CP's typical traits are slowly making its way into things I consider make us unique and give us a hell of a character... and I also must admit learning to play cute to my advantage may come in very handy, so thanks JJ DiMeo!
Obviously the fact that that Micah Fowler who plays JJ actually has CP makes it even better, because he is part of the crew, he actually knows what it's like. And I must say he is a hell of an actor, being on a different part of the spectrum, less severe than JJ, and having altered his physicality in order to create the character. It's a really well played role and not an easy one, being so funny by using only facial expressions.
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Maya, played by Minnie Driver, the "special needs" mom, is completely hilarious. And even though she is a bit extreme to say the least, there are a lot of truthful situations about her that make us identify with our own family life at some point, I suppose.
But it's not only about the inherent identification part. The differences about it also make it very interesting and quite reflecting inducive.
For example the dad, Jimmy (John Ross Bowie), and  his consistent emotional denial adding up to a hoarding tendency contrast with Maya's over the top momhood.
Mason Cook, who plays Ray DiMeo, brings up important topics on all of this as well: the share of parents' attention, the concerns with JJ's future, all this topped with his constant anxiety and desperate romantic situation, frequently mocked by his sister Dylan (Kyla Kenedy) who is a compulsive winner and sarcastic gem.
Kenneth (Cedric Yarbrough) is the cherry on top. If the fact that he's an unexperienced jannitor who from night to day just starts being JJ's aid with no experience whatsoever doesn't make for a cracking plot already, let me tell you he is the perfect funny sidekick to, well, everyone in the family really.
 
Above all, it is an awesome comedy show, with or without the cerebral palsy theme being taken into account. But having it represented in such a natural non pitty-party way, I think will help us all destroying stereotypes. And unexpectedly, like I mentioned, not only change society but also maybe help some of us accept ourselves as the cute little actually not so limited bastards we are, and that is one of the best bonuses we could ask for!