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INÊS MARTO

INÊS MARTO

Fora eu raiz

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Fora eu raiz

Para o que tenho de pássaros.

Fora eu carne e cicatriz

Para o que de mim são versos.

Terra que me albergue os lírios submersos.

Animal, instinto.

Solo, chão, primal, consciência.

Não-controlo, não-teorema, não-coerência.

Fora eu o contra-senso e a ousadia da ausência.

Buscar a minha fundura, revelação de horizonte.

Salto a fogueira e o abismo. Inspiro fundo.

Mergulho. Desfio-me o próprio mundo.

Sobrevivente coroada no tribunal do além.

Desenquadrada, ilimitada, amanhã serei liberta de tudo o que me contém.

Lamberei das minhas feridas

O sal que alada me ergueu

Eternamente aprendiz desse xadrez que sou eu.