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INÊS MARTO

INÊS MARTO

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DVRA PRAXIS, SED PRAXIS!

Muito se tem falado da Praxe, quem passou por ela e quem não passou. Achava eu que não tinha nada que me meter no assunto, e que era melhor não levantar ondas. Mas afinal, sou Caloira, e já que todos falam, esta é a minha, insignificante mas minha, forma de ver.

Começo pelo fim: acabei por desistir da Praxe. Não sou anti-praxe, pelo contrário. Teria continuado, fosse este o curso dono do meu coração, e não tivesse as dificuldades óbvias à vista de quem as quiser ver, que não me deixam fazer tudo o que quero e tenho pena, e que me tornam mais difícil desfazer cabelos enfarinhados e coisas que tais.A Praxe é como tudo na vida: há os extremos (que, como em tudo, normalmente dão asneira) e há os mais equilibrados. Acho um erro generalizar. E agora, falo pela minha experiência, que vale o que vale, para quem  quiser ouvir:

Quando se vêem Trajados a carregar uma cadeira de rodas, comigo lá sentada, pelas escadas do Metro, brincando a fazer barulhos de helicóptero, e a mandar-me gritar "Deixem passar a Rainha!", deixa um sorriso... Quando se vê todo um Curso e toda uma Faculdade que faz por integrar, isto, senhoras e senhores, É ESPÍRITO ACADÉMICO. Quando se vêem Caloiros, que sem me conhecerem de lado nenhum empurram uma cadeira de rodas que é tão nova para mim como para eles, pela simples razão de que estamos todos no mesmo barco, senhoras e senhores, É ESPÍRITO ACADÉMICO.

Quando partilhamos refeições dadas à boca dos colegas com colheres de sobremesa, entre olhares cravados no chão e farinha na cara... não se trata de humilhação, trata-se de pertencer a um sistema, que pode não fazer sentido aos olhos exteriores, mas essa é parte da magia. Trata-se de cumplicidade. Trata-se de começarmos todos iguais, e todos dispostos a, juntos, ultrapassar eventuais diferenças, ou mesmo aprender a usá-las a nosso favor.

Trata-se de começarmos do zero, de sermos mais um num mar de gente, toda tão perdida como nós, sem deixarmos de ser MAIS UM, único, e capaz de coisas que jamais imaginávamos.

Quando se diz que Psicologia é União,senhoras e senhores, É ESPÍRITO ACADÉMICO.

E mais que Padrinhos, que não tenho, e de Trajes, que não tenho, e mais que canções cheias de sexualidade e hormonas juvenis em pujança, e mais que cerveja e brincadeiras parvas, porque também as há, não fôssemos jovens...

Mas mais que isso, a Praxe leva-nos a perceber que os nossos limites são muito, mas muito mais permeáveis do que pensávamos. Que é bom desafiarmo-nos, que é bom soltar as amarras às vezes, que sair da zona de conforto pode ter resultados surpreendentemente positivos, se nos propusermos a isso, e que não somos tão frágeis assim.

E se é sempre bom? Não. E se é sempre fácil? Não... Desistam, se acharem que chega, eu fi-lo. No entanto, com tanta generalização, com tanto pensamento fechado e com tanta mente quadrada que tenho lido e ouvido falar, chego a uma conclusão.

Além de dinheiro, o que faz falta a este País é equilíbrio, é pesar o que se diz e o que se pensa, em vez de se fazer tempestades em todos os copos de água, porque nem todos os copos de água são iguais. E o que faz também falta são mentes abertas, e entenderem que os jovens não se resumem a uma cambada de delinquentes marginais sem limites e todos iguais.

Se calhar o que falta mesmo às vezes É ESPÍRITO ACADÉMICO!