Dentro em mim a prisão Dos sete níveis de sono inferno onde nasci Densas neblinas de atravessar solidão Passos de vidro sobre a areia Pétalas de sonho à lua cheia E dos rochedos vi aflorar fantasmas Uivos de nudez apocalíptica E finda a minha cruz tornei-me água Ou sombra livre, canto-terra Dos medos meus teci … Mais

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Contra-capa das entranhas

Borboletas de asas escuras sobrevoam o palato em rastos de electricidade. Procuras na intangibilidade do reflexo baço um auto-reconhecimento que não vem. Deambulas corredores inteiros sem sair do lugar. De vidros sujos, chão verde-água gasto pelo arrastar de chinelos genéricos e o conta-gotas de um soro que subsiste na sinfonia agreste das rodas calcinadas. O … Mais Contra-capa das entranhas

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Demasiado

Não, eles não sabem. Viemos ao mundo para dar tudo. Para ser tudo. Para arder tudo. Ou nada. Depois condenam o desprendimento que usamos como água. Estranham a leveza despudorada com que lavamos o medo que tiveram de se afogar na nossa fogueira, eles que não quiseram sair da bolha, meio termo, politicamente correcto, equilibrado. … Mais Demasiado

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Sala de nevoeiro

Sinto estranha a casa que sou. O corpo um precipício entre a essência e o limite tangente à pele, sufocado de medusas saturadas em morfina. A linha das mãos desenhos trémulos de cafeína a ondular à superfície dos estímulos. Abaixo dos olhos dois oceanos densos agrestes. O rosto sulcado entre incertezas de existir. Na ausência … Mais Sala de nevoeiro

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Sub-aquático medo

Etéreo verde escuro refractado invade-me a parte esquerda do corpo. Sub-aquático medo. Onda de frio rasteja no cimo da nuca. Transpiram-me os dedos sem lugar. Desesperado esconderijo de desconfortos. Parte-se-me da pele o vidro. Seca-se-me a boca. Prende-se-me a postura. Rastejam medusas de fogo na ante-câmara dos lábios. Vertigem imparável de pensamento. Versões translúcidas de … Mais Sub-aquático medo

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Restaremos

Todo o mundo adormeceu. Resto eu. Restamos nós. Eu e a pintura mental que faço de ti por companhia. Assim, como te vejo: com filtro de polaroid contra a luz do sol tardio, silhueta de celofane algures onde há maresia. De cigarrilha e corpete sob o casaco dos dias. Tu. Dietrich-Amy-Joplin e não sei mais … Mais Restaremos

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Acender-te(me)

Amanheço. Sonho-te(me) como memória translúcida no reflexo da janela embaciada de algum comboio que me leva para não sei onde. Ouço-te(me). Em cada esvoaçar dos dedos desenhas referenciais dos momentos que se desprendem de ti, que se fazem efémeros, fátuos. Chamas a ti o perpétuo e fugidio presente, prendes a ti os meus olhos, atados com … Mais Acender-te(me)

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Hoje sou

Hoje não. Hoje não sei o que é a vida. Olho os dedos nus e não lhes sei o caminho. Hoje procuro no fundo dos olhos um porto de cansaços e não há resposta do outro lado de mim. Hoje não. Hoje não sei o que é a vida, hoje quis cingir-me à minha própria … Mais Hoje sou

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