Manifesto da Auto Libertação

As sereias não nascem sereias. As sereias nascem Inêses.
As derrotas não se negam. Tornam-se adornos.
A normalidade não existe.
O corpo não se cura. Aceita-se.
O corpo não se cura. Aceita-se.
O corpo não se cura. Aceita-se.
As sereias não nascem sereias. Nascem para amar.
O amor não são caras-metades. As sereias não nascem metade. As sereias são inteiras.
Os fantasmas não se escondem. Enaltecem-se.
O medo da dor não faz um artista. É preciso chegar ao íntimo lado negro de lua.
Os suicídios não se evitam. Escrevem-se.
O recato não faz um artista. É preciso dilacerar costelas, expor o peito, pregar os braços abertos. É preciso deixar que vejam o coração vivo bater ao relento.
A fragilidade não se dissimula. Faz-se versos.
As feridas não se tapam. Salgam-se.
As lágrimas não se retêm.
As lágrimas não se retêm.
As lágrimas não se retêm.
A perda não se receia. Abrem-se as mãos.
A banalidade não faz um artista. É preciso procurar o intangível grão da verdade, por todos os dias da vida.
O não é para se dizer.
O não é para se dizer.
O não é para se dizer.
A morte não é liberdade. É ausência.
As sereias não são feitas do passado. São mutáveis. As sereias renascem quantas vezes lhes apetecer.
Recear a exposição é veneno. As sereias dão a cara.
Segurança não faz um artista. É preciso abrir janelas. Dar o corpo às facas alheias. Um artista deixa-se invadir. Um artista flui.
É preciso transcender.
É preciso transcender.
É preciso transcender.
Os traumas não se atenuam. Revisitam-se. Avivam-se. Impelem.
O medo não mata. Estimula.
A tranquilidade estagna. O conforto estagna. O facilitismo estagna. O precipício renova.
A ansiedade é um gira-discos estragado.
A depressão não se erradica. Fazem-se dos cantos escuros antros de poesia.
O tempo serve para crescer. A perspectiva é uma bênção.
Os rancores devem libertar-se. A paz de espírito começa pela auto leveza.
A energia deve dar-se a quem merece.
As sereias sonham alto. As sereias perdoam-se. As sereias não se destroem.
A sensibilidade deve explorar-se infinitamente. O humanismo cultiva-se.
Um artista persegue a sua própria felicidade ciente de que a vida depende disso.
Ser feliz existe.
A vida vale a pena.
A vida vale a pena.
A vida vale a pena.

 

 

[Texto produzido para a unidade curricular de Estudos de Performance, da Licenciatura em Estudos Artísticos, Artes do Espectáculo, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa]

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