Dentro em mim a prisão
Dos sete níveis de sono inferno onde nasci
Densas neblinas de atravessar solidão
Passos de vidro sobre a areia
Pétalas de sonho à lua cheia

E dos rochedos vi aflorar fantasmas
Uivos de nudez apocalíptica
E finda a minha cruz tornei-me água
Ou sombra livre, canto-terra

Dos medos meus teci lençóis onde dormir
Perdida em mim sem ter mais por norte o meu peito
Amei sem ontem a pintura que eras, minha
E por te amar desenlacei meu mar desfeito

Quebrei as flores na espuma frágil do agora
Parti em busca da minha negrura lunar
E descobri-me feiticeira nos meus versos
Com luz e sombra no meu espelho por beijar

 

[Poema sem título, decorrente de um exercício realizado para a unidade curricular de Estudos de Performance, a 27/09/17, onde me obriguei à espontaneidade e à não revisão, enquanto simultaneamente me forcei a manter-me na minha pele e no presente (contrastando com a divergência de escrever), obrigando-me ao contacto visual permanente com quem passava na rua, e sorrindo-lhe, ao mesmo tempo que lia diferentes poemas de Natália Correia – que serviram de incubação anterior à escrita.]
Anúncios

Comentar

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s