O vértice de um mundo

Em cada lágrima o vértice de um mundo.
A queda livre dos fantasmas no desprender do precipício dos olhos.
Em cada solidão um expoente máximo de garras.
O desprendimento crescente em acidez balsâmica trilha caminho.
Em cada abandono um sem-chão mais fundo.
A pedra-e-cal de nascer e morrer só fortalece o voo.
Em cada mais fundo a libertação.
O eco da própria voz é mantra para chegar mais longe.
Em cada fio da navalha a salvação de ser veículo da arte.
Arde o sal no sangue, repete-se em soviética afirmação o quanto ainda há que transbordar.
Em cada silêncio o cume da dor como indício de vida.
Viciantes agulhas de tinta esboçam alvoradas de outro renascer.
Em cada aspereza de cordas a contra-luz dos próprios passos livres.
Sobem à tona do corpo as marés do recomeço.
Em cada onda a permanência envidraçada de ser tela dos devires, se nada mais.
E em cada lágrima o vértice de um mundo.

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