Sub-aquático medo

Etéreo verde escuro refractado invade-me a parte esquerda do corpo.
Sub-aquático medo.
Onda de frio rasteja no cimo da nuca.
Transpiram-me os dedos sem lugar. Desesperado esconderijo de desconfortos.
Parte-se-me da pele o vidro. Seca-se-me a boca. Prende-se-me a postura.
Rastejam medusas de fogo na ante-câmara dos lábios.
Vertigem imparável de pensamento.
Versões translúcidas de mim caem ao chão.
Sub-aquático medo.
Inunda-me a transparência. Luta de fantasmas flutuantes.
Quero fazer dos pulmões copo do rio que desmascara.
Uma existência em ruínas trespassa a quântica do agora.
Sub-aquático medo.
Sublima-se do escudo dos meus ossos o muro de defesas.
Sobem lágrimas ao limiar da superfície.
Sub-aquático medo.
Geometrias glaciares falam mais alto.
O horizonte de mim sobrevive ao sucumbir.
Olhos perdidos no lótus da realidade.
Desflorar de traumas. Defesa na ponta do corpo fechado.
Afundo. Sub-aquático medo.
Árvore de mil rumos e a escolha incessante das palavras no fio da navalha.
Avanço. Sub-aquático medo. Desprendo.
Respiração primordial. Lâmina do vértice.
Dentro da pele a luminosa tentativa de abrir os braços.
Sub-aquático medo. Precipício de cimento. Salto.

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