Restaremos

Todo o mundo adormeceu. Resto eu. Restamos nós. Eu e a pintura mental que faço de ti por companhia. Assim, como te vejo: com filtro de polaroid contra a luz do sol tardio, silhueta de celofane algures onde há maresia. De cigarrilha e corpete sob o casaco dos dias. Tu. Dietrich-Amy-Joplin e não sei mais quantos signos de santuário-mulher.

Todo o mundo adormeceu mas tu ficaste. Tu. A que estala depois o verniz, a que dispensa depois o batom, a que é pele-com-pele e toque-com-alma. Tu. Carmen-Judy-Frida e não sei mais quantos pináculos de força-gente-resiliência e extra-corpo.

Todo o mundo fechou as luzes. Mas tu acendeste. Todo o mundo se tapou. Mas tu despiste. Todo o mundo se apressou. Mas abrandaste. E todo o mundo se esvaiu. Mas coloriste. E logo tu. Bom-demais-para-ser-verdade múltiplo e perpétuo mutável criptex de ser gente. E logo tu. Pleonasmo do próprio contraste. E logo tu. Jogo de sombras.

Todo o mundo foi relance, mas tu olhaste fundo. Todo o mundo foi da pele, tu das veias. Todo o mundo foi aparência, tu silêncios. Todo o mundo olhou para os próprios passos. Abriste a mão. Deixaste que subisse para o teu cavalo de mármore de onde se vê mais além.

Todo o mundo permaneceu. Tu foste mais. E logo tu. Prisma do âmago da minha verdade, que acendes horizontes no existir. Tão inexplicável quanto urgente agradecer dias sem fim. Todo o mundo adormeceu. Restaremos nós.

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