Fim de tarde

Fim de tarde. A vista parada de uma cidade agitada como fotografia do tempo desmedido por uma janela que sempre arranjou maneira de se fazer nova e desconhecida.
Um cinzeiro cheio de beatas velhas que não fui eu que fumei e os joelhos nus abraçados contra o peito numa cadeira de plástico onde se cheira a maresia.
Os cabelos cheios de sol e o peito de sonhos por cumprir. Uma balada no gira-discos que queria ter e, só faz de conta, papel de carta no colo e uma caneta de tinta onde te escrever poemas enquanto o dia proclama que já se cansou de o ser e a lua sobe.
Uma garrafa de whisky no chão de quem a boca não me deixa ganhar saudades. Pelos pensamentos os beijos que nunca demos. E o tempo parado assim.
Foi como descobri que estar viva era isso. Sentir casa nesta coisa nenhuma que havia de ser sempre e só.

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