Nuas trovoadas

Dá-me os teus braços sem medo
No enleio de um segredo,
Da nossa cama perdida.
Abracemo-nos à toa
Sejamos barco sem proa,
Navegando a dois a vida.

Dá-me os teus lábios frutados,
Sabor a doce castigo
Nos nossos sonhos cansados,
Quentes corpos naufragados
Com o nosso amor por abrigo.

Teus olhos mornas agulhas,
Ao perfurarem meu peito,
Pintam-nos duas faúlhas
Do fogo desta paixão
Consumado em combustão,
Quando contigo me deito.

Tua pele mapa-mistério
Com laivos de madrugada
Tela do meu sonho etéreo
Cor de alma desancorada.

Dá-me as tuas mãos de amante,
Astrolábios de loucura
Com cheiro a estrela madura
Num céu de eterno desejo.
Planta em mim, palpitante,
A semente do teu beijo
Que brote versos sem fim
E vem ser comigo, apenas,
Nuas trovoadas serenas,
Deixa só que te ame assim.

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