Vem dormir

Vem dormir. Deixa tudo para trás e vem dormir só, sem mais nada. Deixa que te embale rumo a um mundo só nosso. Onde os desenhos dos teus dedos ditam constelações e o leme do barco gira ao som do teu respirar. Vem dormir. Deita a cabeça a no meu peito e fica, só, sem mais nada. Deixa que as nossas pulsações se casem sem esforço.

Que sinta a tua pele adormecer na minha e que o peso dos teus dias me comprima as costelas no mais belo acto de amor. Vem dormir. E que o futuro seja a nossa cama, sempre com sonhos por travesseiro. Que os meus braços te aconcheguem e absorvam o peso de existir. Vem dormir. E que os meus dedos ao desbravar-te o cabelo te preencham a solidão.

Adormece em mim. E que te sare as feridas com beijos, sem nunca te acordar. Que te diga ao ouvido poemas virgens que permanecerão praias inexploradas, pois são mais belos assim. Sabe Deus quantos primeiros romances meus te recitei ao ouvido, enquanto viajaste nos meus braços. Vem dormir e permanece assim, coração meu em corpo alheio. Deixa que segure o meu mundo nos braços e não queira nada mais que um sempre só assim.

Deixa que o meu coração te embale em toques suaves de aurora estrelada, façamos galáxias por companhia e que o amanhecer seja feito ritual, corpo a corpo embalados nesse pó celestial feito só nosso amor. Torne-se o sono nirvana e que te faça renascer. E se mais nada, então, não penses mais, deixa-me amar-te e vem dormir.

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