Contradição

Seja amor, mas sem se ver,
Seja um rio sem correr,
Uma torre sem ruir,
Orgasmo sem se sentir,
Seja íbis sem voar
Numa noite sem luar.

Seja paixão que não cala
Dentro de um peito que exala
Versos a jorrar sem fim,
Num abraço de cetim
Duas vidas amarradas
Bafos de pequenos nadas
Deixados soltos ao frio,
Derradeiro desvario
Este amar sem ter medida
Tal uma cama despida
Finda a aventura táctil:
Brincar a ser-se volátil
Nessa outra dimensão
De carne e respiração
E dois corpos ancorados
Marinheiros naufragados
Num imenso mar de amores
Pintado a todas as cores.

Seja sonho que não arde
Seja esperança que não voa,
Seja fogueira sem vela
Este amor de caravela,
E asas sem ter pavio,
Um desejo sem navio
Seja vida sem caixão,
E paraíso sem chão,
Amanhã sem sepultura,
Seja um nunca que perdura
Eterna contradição,
Incógnita equação
De um teorema impossível,
Eterno que desvanece
E adeus que permanece.

Seja tudo, mas que fique,
Não se resolva, nem se explique,
Nem se escreva em verso vão,
Cúmulo de vórtex confuso,
Buraco negro difuso
Num pequeno coração.

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