À força

É quando tudo parece difícil que deves contrariar. Quando a vida diz “cai” levantar-te mais alto ainda. E não ceder. Por nada. Se parecer um poço sem fundo, aprende a nadar, se parecer beco sem saída, parte as paredes à força.

Isso. À força. “À força” são as tuas palavras de ordem. Porque teve que ser assim, mas o porquê pouco importa. O que conta é o caminho. Torna-te espectro, então. Isso mesmo… à força… e da força. O caminho faz-se caminhando.

Então não pares, por nada. Produz. Inventa. Contorna. Esfola-te e rasga-te e reinventa-te cada dia mais, em nome da Arte. E se nada mais restar, respira, mas continua. E se nada mais houver, nem ar, a Arte resta. Porque essa sim, não te abandona, até ao fim dos teus dias. E quando não tiveres sonhos, tens Arte, outra vez.

E se, ainda assim, isso te preencher e te fizer continuar nessa batalha, sabes que estás no caminho certo. Porquê? Porque a Arte justifica. Porque a Arte, aquela que dizem que é simples e fácil e pouco séria… Aquela que tantos outros conseguem por atalhos e caminhos a meio gás… A ti afigura-se uma escalada por entre rochas e morros e vales e escombros e escarpas. Mas ainda assim, ainda que estivesse na cara que não te estava talhado esse lugar, ainda que meio mundo te franzisse a testa por o perseguires a mil vezes mais custo que os outros tantos… Ainda que a sociedade te ditasse um lugar recostado num sofá de dependências e conformismo… E ainda que depois de tanto tempo, a tua hora teimasse em não ter chegado… Sabias, simplesmente.

Sabias que era esse o teu trilho, a tua luta, a tua vida. Porquê? Porque ainda que pesasse mil vezes mais o esforço, continuaria a ser a Arte que te dava guelras e veias e sangue. Se te estava estampado na carne que não ias conseguir, a alma gritava a plenos pulmões que isso só era certeza se deixasses de tentar.

E isso nunca. Porquê? Porque “à força” são as tuas palavras de ordem. E se não chegares à meta de pé, chegas sentada, ou de gatas, ou até a rastejar, mas chegas. Porque enquanto o tamanho da alma for maior que o da carne, não sabes se não persistir. Porque é isso que te alimenta a fome de vida.

E se a má sorte um dia quisesse que a sina dissesse que serias infeliz, gritavas a plenos pulmões sem palavras que fossem precisas, porque aí o caminho dizia tudo. E continuavas. À força.

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