Sonhar-te

Sabes o que mais me custa? É que não sejas minha. E que nunca vais ser, nem que num dia de sorte maior que a vida te conseguisse enfeitiçar… Porque tu, tu não tens amarras, tens um par de asas na alma, e pareces bastar-te com uma convicção que me atropela… Sabes o que também me custa? É que nem me lês. Podia escrever mil e um sonetos, e podia até ter a arte de Pessoa, mas ias passar ao lado, impávida, serena, e linda como sempre… com essa beleza inflamável que me atordoa sem se cansar…

Sabes o pior de tudo? É que vais ser sempre linda… vais amadurecer linda, envelhecer linda… e ter sempre esse laivo de força quase cigana, de garra, e de raiz fugidia… não é à toa, o cavalo mais esbelto é aquele que é mais livre e mais selvagem.

Sabes o que é mais difícil? É imaginar todos os dias como seria ter-te comigo… e não passar disso, nunca. Mas sabes depois o que me conforta? É poder ver-te de longe e saber que enquanto não chegares perto, não hás-de fugir. E que enquanto não fores minha, nunca te posso perder… Então, nesse entretanto, continua a bastar-te. Porque a mim já me iluminas, com este poder sonhar-te em vão.

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