Miragem

Sem prenúncio do destino
Como vento repentino,
Cavalo desenfreado,
Veio à tona do meu mar,
Sem que o pudesse evitar,
Este amor indesejado.

O que fazer, já não sei,
Porque quando reparei
Era já tarde de mais.
Quando ao olhar à janela,
Vi a sereia mais bela
Atracada no meu cais.

E não sei se cante ou chore,
Nem se fuja ou me demore,
Em segredo amando assim.
Sem saber fazer melhor,
Digo-te os versos de amor
Escritos dentro de mim.

E se um dia eu pudesse,
Concretizando-se a prece,
Esses teus lábios beijar,
Minha sereia encantada,
P’ra ter-te a mim ancorada,
Aprendia a navegar.

Partia ao sabor da sorte
Qual navio sem norte
Pelas curvas do teu corpo,
E deixava-me perder
Naufragando no prazer
De ser navio sem porto.

Cabelos negros beijava,
E uma fogueira ateava
No meu coração ardente.
Como um tango de amantes,
Duas almas viajantes
Remando contra a corrente.

É da tua pele o sal
Que me corre, clandestino,
Nas veias, ópio carnal,
Este amor que não domino.

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