Cartas à Vida #4

Querida vida…

Muitas vezes falo comigo, tu sabes. Falar comigo não chega. Há algo na solidão de quem escreve por fogo intrínseco que traz uma solidão nunca consumada. Então falo para ti… Sei lá se és espírito, destino ou deus. És isto que não sei, mas que de alguma forma vai olhando para mim, mesmo que nem sempre te mostres do meu lado.

Minha querida, acho que precisamos de conversar “olhos nos olhos”. Não tenho muito por onde me queixar, pelo menos não na maior parte do tempo, deixemos os amuos que tenho contigo de lado. Mas há coisas que me têm vindo a irritar.

Já viste isto? Olha bem… quase 20 anos. Achas justo? Para onde foi o tempo que nunca mais passava? Onde é que está a experiência, que era suposto fazer com que me sentisse já “gente”? Achas que estou pronta para me chamar adulta? Mas achas mesmo? Sei que a bem dizer de criança nunca pude ter muito, não fossem a porra dos desafios que me puseste no caminho (Sim, às vezes exageraste!), mas também… adulta, já? Não sei se sou… melhor, acho mesmo é que não quero. Digam o que quiserem da suposta “juventude”, mas epá, desculpa-me a frontalidade, mas os chamados “adultos” também me agradam pouco.

Sinceramente não me apetece. Ter de andar a aguentar mascarinhas… e disse bem “inhas” porque desfazem-se mais rápido até que papel, andar de fato cinzento, e dizer que a vida é dura, que tudo exige esforço, que andamos cá é para trabalhar, e que tem de ser, que tu, vida, “és mesmo assim”? Não quero, obrigada.

Não quero nunca ter por lema de vida “tem que ser” nem “é mesmo assim”. Bem me bastam os dias que acordo de mal contigo… se isso significa ser adulto, a suposta percepção que as coisas não foram feitas para ter sabor, então deixa-me andar no limbo, e acredito nisso só nos dias em que estivermos zangadas – que já não são poucos – combinado?

Há outra coisa que temos de acertar… essa tua mania dos testes… isso chateia, caraças. Eu sei que uma pessoa também precisa de “enrijecer a pele”, mas era preciso tanto? Não quero ficar com quitina, ok? E também acho que me tomas por inteligente, já deves ter percebido que não é preciso bater tantas vezes com os cornos em ti, para aprender, não é? Isso de me pores as pessoas erradas no caminho e me fazeres acreditar nelas, por exemplo… Certo, admito que às primeiras ensinou coisas importantes, mas chegava, não era preciso mais, eu felizmente aprendo depressa, ‘tá? Podes parar, se fazes favor!

É que também, se queres que eu acredite em ti, não pode ser só partidas, carago… Dá lá umas abébias de vez em quando, que não sei se te lembras que por cá andar não é muito fácil.

Hoje deixo-te com um suspiro, a ver se entendes…

Juízo, hã?

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