Cartas à vida #3

Querida vida…

Tenho aprendido a andar de mim para mim… Já não me aflige o som dos meus próprios passos, e se de mim se apoderam ironias e cansaços, recuso-me a cruzar os braços, e vou navegando assim.

Sabe-me bem, ultimamente, andar descompassadamente, na minha própria companhia… Se a solidão me assombrava, e o vazio dos outros era a minha asfixia, o silêncio tornou-se camarim para a minha própria poesia.

Querida vida, sabes, até melhor que eu, o quanto oscilo ao vento dos dias que passam por mim sem cessar, e que se hoje a alma voa, amanhã torna a chorar…

Querida vida, nada mais sou que um novelo de confusão… resisto, insisto e não desisto… E hoje caminho por ruas de calçada gasta, sozinha, mas sem solidão… Amanhã não sei, os ventos dirão…

E assim segue por estes carris incertos, sem que eu entenda a razão, “este comboio de corda que se chama coração”.

Anúncios

Um comentário sobre “Cartas à vida #3

  1. Não sei bem o que dizer, mas está lindo. Vais trepando ao teu ritmo, umas vezes mais lenta outras com velocidade de lebre. Estás mais segura e com mais esperança. Não te deixes vencer pela pela solidão, há sempre dois braços para te ampararem. Tens levado muitas bofetadas, mas elas vão-te ajudando a crescer. Começas a saber selecionar e a aprender com os trambolhões, sofrendo vais sozinha curando as tuas feridas. Berra com quem lixa e acarinha quem muito te quer ver feliz.
    Amo-te

Comentar

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s