Cartas à Vida #2

Querida vida…

Devo confessar que é libertador tratar-te por “tu”. É como desencarnar-me de mim, enquanto te escrevo. E se há dias em que acordo de costas voltadas para ti, e com vontade de te deitar a língua fora, outras vezes parece que conspiras a meu favor.

Hoje é uma dessas vezes, parece que me dizes ao ouvido que este “hoje” foi feito para correr bem… espero não estar enganada, às vezes também me confundes, não és fácil de interpretar.

Apetecia-me dizer-te obrigada… quanto mais não seja pela maneira estranha que vais encontrando de equilibrar este barco… não fosses um pouco louca, e deixavas de ser minha, não é?

Tem dias que gostava que falasses mais comigo,  como eu te faço, afinal “a falar é que a gente se entende”, e foste tu que me ensinaste, lembras-te?

Sabes que sempre gostei de ondas, quer no cabelo, quer no mar… o meu barco é que às vezes perde o norte, podias ensiná-lo a resistir um pouco mais.

Desculpa se isto não fizer muito sentido, é que o norte anda um bocado perdido, mas também sei que me entendes bem melhor que eu a ti… ainda que às vezes te chame muitos nomes, consegues vir abraçar-me por dentro e amainar o vento, é preciso força… deixas-me aparvalhada.

De qualquer forma, hoje a palavra é obrigada. Amanhã logo se vê.

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