Unilateral

A verdade? A pura verdade, é que engaiolar num espartilho o amor, para que coubesse no apenas pequenino a que se resumia o quanto ela gostava de si, lhe doía demais para conseguir ficar por perto. E então fingia esquecer. E então calava a saudade à força da dureza da alma talhada pelo desgosto. E então abandonava, para que o fogo do seu peito não sufocasse a leve ilusão impossível daquele amor. A pura verdade era aquela, ia embora para que o cristal rachado da sua esperança não passasse a cacos de sonhos caídos. Fugia, não porque não amava, mas para conseguir não deixar de amar o pouco que restava de tamanha desilusão. O dissabor escorria pelos dedos em forma de poema, novamente. A pura verdade era simples: os freios que eram impostos ao seu amor, abriam feridas nos cantos da boca, porque a vontade de querer correr sem amanhã era maior, e, infelizmente, unilateral. Abandonara assim o circo de encantos, afim de conservar intactos pelo menos os pedaços já baços da sua inocência forçada, porque nada mais restava, se não a arte de ser poeta à força.

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