Meu amor…

“Meu amor…” um terramoto – assim se desmoronou.
Duas palavras e o mundo caiu-lhe aos pés. Ficou nada mais que o eco daquela voz…
Tão cuidadosamente construído, o muro das suas inseguranças, o castelo dos seus preciosos fantasmas, tantos anos de escudos impenetráveis, armados de pedra e cal por esforços viscerais… Duas palavras, e desfizeram-se.
Os medos eram nada mais que cacos. O pânico, ressequido, abandonou a pele. Pesadelos, amarrotados, eram arrastados pelo vento, sob o chão sujo de final de tempestade.
O peso dos dias voava agora como poeira velha, apêndice amputado sem dor.
Duas palavras, e as defesas de uma vida haviam caído por terra. Incrustada na alma, ficara a musicalidade daquela respiração, e o silêncio que se lhe seguiu.
Duas palavras desnudaram-lhe a alma, beijaram-lhe as cicatrizes, reacenderam-lhe o núcleo… a madeira velha do baú do seu coração rangia sem piedade. Vulnerável… entregue à terra seca com aroma de trovão… o fogo interior alastrou, abriu asas.
E num momento era fénix e poeta, era barco e vento e cascata, era criança e leoa e fogueira e céu… e tudo, finalmente, TUDO.
“Meu amor…” é o Abracadabra humano, o mais poderoso encantamento, a mais bela catástrofe da vida.

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