Desconstrução

Traçava diagramas de variáveis irracionais, desenrolava emoções em arabescos mentais, desbravava a solidão selvagem como desenhos fractais, sonho sem dono, mente sem sono, navio sem cais.

Descontruía-se em perpétuo rebuliço dormente, como agulha aventureira no novelo de ser gente. Reabitava-se de novo, como pela primeira vez, rasgava-se em pedaços, e os nós desfeitos ou laços permaneciam no chão. Era gaivota e poema, era aresta e cristal, teoria, diadema, todo um sem-nexo infernal.

Polia o diamante da alma com a calma de um barco à vela, reinventava-se em infinita aguarela… resolvia-se, desmembrava-se, perdia-se, reencontrava-se, desconhecia-se, reencarnava-se… equacionava-se com dupla variável e sistema, em quadrante imaginário, corolário, teorema… Era dado, relógio de pêndulo, poeira… e era chave, e globo e uma dimensão inteira.

Era aroma e melodia e vazio, e escuridão, era cacos de lembranças já esquecidos no chão… era ferrugem e relva e nozes e sábado, era vento e violino e sal e fado… filosofia desencantada, poltrona abandonada, tabuleiro de xadrez e labirinto sem fim… Era marioneta, moinho de vento, baralho de cartas, arlequim… O sentir e a dormência, tudo-nada, incoerência.

Era gota a gota, sem qualquer sentido, num mar sensorial à deriva, barco de papel perdido.

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