Enquanto

Passa-se o dia à espera que venha a noite, a semana à espera do fim, o mês sem esperança, o ano com sede de mudança, e a vida à espera que tudo acabe.
Passa-se o tempo infinito, girando descontrolados, cavalos desenfreados em areia movediça. Sente-se no peito uma amargura apertada, caminha-se em passeio incerto, rumo a outro tanto cheio de nada.
É-se vazio, boneco de corda mecânico, de chave teimosa que nunca há-de parar. Numa caixa triste, de molas partidas, pendendo de cabeça baixa e olhos cravados no chão.
Sonha-se, enquanto há força, que um dia tudo muda, ou que tudo dissipa, e se deixa de ser.
Chora-se, enquanto houver lágrimas…
Suspira-se, enquanto o ar encher os pulmões infelizes…
Vive-se, enquanto o sangue teimar em queimar as veias cansadas…
Floreiam-se de reticências e poesia os cacos em que se transformou a alma perdida, espera-se esquecer, e reza-se ao tempo para que passe de uma vez.

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