Sem reticências

Grito, sem reticências, desta vez. Por todas as noites sem dormir, por todos os abraços que dou a nada e coisa nenhuma, por todas vezes que me fazes chorar. Porra, para todos os porquês que levantas e por me fazeres faltar os pontos finais e deixares nada mais que frases inacabadas. Por me fazeres fervilhar o sangue tantas vezes. Pela tua imunidade a isto tudo, que me faz perder a cabeça, por estares engaiolada numa jaula de vidro, como obra de arte, por passares ao lado de tudo, e continuares leve, e não te doer nem um pingo, quando a mim me desfaz o juizo.
Porra para o que não sentes, que a mim me rouba o pouco que resta da alma, e para todas as palavras que não lês ou fazes de conta, nesse canto onde és feliz com os outros todos e nada de atinge.
Para todos os sonhos de onde acordo sem querer, por não passarem de mais que isso, e para o impasse de ansiar tatuar-te na pele e o querer desaparecer e tornar-te memória difusa e indolor.
Raios partam a indecisão e todas as horas de cabeça perdida, e falta de rumo, e o espírito que me devoras sem sequer saberes. Raios partam todos estes disparates e esta revolta que não sei evitar, e esta raiva que não é minha e ainda assim não me abandona. Porra para tudo o que já deixou de fazer sentido e que não mereces que sinta.
E mais para a anestesia que não há, para o que é demais e corrói, para o coração ingénuo e mente de rédeas laças.
Porra para o quanto te amo, sem poder fazer mais nada, se não perder a cabeça, porra para o pouco que me resta, e nada vale no fundo: gritar, sem reticências.

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