Suspiro

Outro suspiro escapava, leve e vão. Latente estava a velha dor de cabeça, disfarçando o desejo de um cigarro pela calada da noite. Os pensamentos voavam em rumo incerto, passando mais um dia ao lado de outros tantos já vividos, de paladar entorpecido. Os cabelos caíam sobre os ombros em cascata natural, moldura de rosto cansado – rompe o silêncio um bocejo sem essência. A anestesia da solidão permanece.
Desfazem-se nós mentais aos poucos, por mera ocupação, como quem arranha madeira já velha, fazendo riscos com as unhas, por falta de melhor entretenimento que cubra a alma desfeita.
Sonha-se e viaja-se sem destino, escrevem-se cartas de amor sem amarras, bebe-se utopia até lambusar… e nada se passa se não novela interior. Lá fora, na real escuridão, resta o velho pijama contra a pele que cheira a gente… e um olhar envidraçado, perdido em nenhures felizes.
E crava-se no peito incerteza, sem saber se se ama ou se quer fugir, se se vive ou se entrega a pele e se deixa a alma respirar enfim, se se amarram âncoras a fins incertos ou se abrem asas de vidro contra céus em fogo… 
E fecha-se os olhos ao dia, tentando mais um fracasso de emudecer a ânsia de querer mais e não saber ser… suspira-se e nada se diz… ficam os compassos de corda bamba, de vida baça e de biombos de encanto em arasbesco de poema.

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