Ópio

O caminho fácil das pedras polidas por passos leves… constante, vazio, monótono, conciso… a vida limitada, a garra enjaulada… o instinto desvanece, perde-se o núcleo e a raíz… esmorece a cor e dissipa-se o sabor.

Porque é fácil ser-se frágil, ter-se máscaras… torna-se parte de nós, habitar bolhas e casulos invisíveis. Numa esperança quebradiça e fugaz, tornamo-nos corda bamba, vacilando a cada sopro. É instintiva a protecção, o fechar em sete copas, o construir muros e barreiras inquebráveis.

Torna-se quotidiana a mediocridade, a falta, o vácuo… o fugir para nenhures intrínsecos em busca de mais reticências em fim… sobreviver apenas…

E eis que há uma faísca então… quebram-se amarras, despedaçam-se âncoras, solta-se do fundo um rugido animal… e queima-se o passado em faúlhas elevadas de cartas em branco sem destino… fazem-se promessas, preenche-se de um ópio efémero o peito vulnerável… acredita-se de novo…

Mergulha-se em água gelada de súbito, e uma vez à tona, respira-se como se da primeira vez se trata-se… tornando-se fénix, renasce-se, acredita-se, luta-se, uma e outra vez… deixa-se para trás a pele, lava-se a alma, passo a passo… recicla-se, renova-se, revive-se, “reama-se”… em passos sem sombra, cuidadosos, espera-se ganhar asas e voar sem destino enfim.

Anúncios

Comentar

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s