“Carpe Diem” ou não, eis a questão…

[Texto redigido como parte integrante de um teste de avaliação da disciplina de Português, partindo do seguinte tema proposto para elaboração da dissertação:

“Adiar prazeres é uma boa estratégia (…)  Tenho autores guardados, como Joseph Roth. Ou cidades, como Barcelona. De resto, fui ganancioso e esbanjei, na estupidez e cobardia do carpe diem, o pouco conhecimento que tinha na imensidão das coisas que conheci. Antes de aprender a dar-lhes valor, à parte de serem diferentes umas das outras. Só se vai uma vez a Paris pela primeira vez. Desperdicei-a aos treze anos. A pressa é uma paixão destrutiva. Quando queremos ser mais velhos do que somos e fazemos tudo para ter vivido tanto como eles, é nos roubada a juventude.”

Miguel Esteves Cardoso, “O arroz-doce quente”, in  Público, 18 de Julho de 2010

  • Partindo do que Miguel Esteves Cardoso defende, elabore um texto bem estruturado, com um mínimo de duzentas e um máximo de trezentas palavras, sobre o que pensa ser a felicidade como reflexo de uma escolha certa no momento certo. Para fundamentar o seu ponto de vista, recorra, no mínimo, a dois argumentos, ilustrando cada um deles com, pelo menos, um exemplo significativo. ]

 

Para muitos jovens (e diga-se jovem quem assim mantém o espírito) nesta época, pelo menos, verifica-se uma banalização do famoso “carpe diem”, utilizado cada vez mais como justificação para uma falsa rebeldia, que se crê ser essencial para uma “insignificante” identidade no mundo. Os nossos jovens vivem, assim, apregoando filosofias, muitas vezes sem pensar, na ânsia de serem únicos (que os torna todos iguais). E tornando-se “pseudo-filósofos” de facebook e derivados, gritando a alto e bom som o tal “vive o momento”, caindo no cúmulo de passar tanto tempo a auto-afirmar filosofias de vida mal interiorizadas, que não chegam a pô-las em prática.

Do lado oposto, existe, como refere Miguel Esteves Cardoso, a “estratégia de adiar prazeres. Penso assim também, no sentido em que existem coisas que têm um sabor especial feitas no momento certo, como é o caso dos livros. Tenho também, como Esteves Cardoso, guardada uma autora, Beatriz Costa, por acreditar que se já assim é uma leitura deliciosa, me saberá ainda melhor quando puder calcorrear os espaços descritos nas suas memórias.

Contudo, não deixo de ser também jovem, e acredito, embora às vezes tenha dúvidas, que nada acontece por acaso. Há alturas em que seguir este instinto de “Peter Pan” e deixar-nos levar pelo momento nos leva a conseguir coisas extraordinárias. Tenho a prova disso, pois atirei-me “de cabeça” a um projecto… e pelo meio julguei estar louca por o ter feito… mas o certo é que agora, algures longe daqui, está vivo um sonho que tinha há muito tempo: palavras minhas são projectadas por várias vozes num pequeno palco…

E devo isso ao “carpe diem”…

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