Parágrafo ao vento…

Vontade imensa e repentina de deitar um turbilhão de palavras ao mundo, como um gesto efémero e emocionante de quem dá vida a um novo ser, letras que escorrem e chovem em pensamentos infindáveis, uma voz cá dentro que grita, geme, morde e rasga grades de uma rotina monótona, esperando ser ouvida…

E este desejo louco que queima as veias a cada pulsação… Esta necessidade imensa de expressão… Estes momentos de sensações turvas, no centro de um furacão e a mais pura sede deste tipo de sentir, deste tipo de viver, destes momentos únicos e unicamente inexplicáveis, de liberdade e prazer… E as musas que dançam cá dentro felizes… A minha pele que se arrepia e se torna mais viva a cada frase que sai… A dúvida alucinante do resultado de tudo isto, as previsões quase sempre erradas acerca das reacções… e a pura incerteza certa que tudo isto só acaba quando já mais não houver para sentir, para dizer e para viver…

É assim que estou, é assim que sou e que não sei ser… É um breve e confuso parágrafo acerca desta carência descontrolada de deixar escorrer e fluir em mim as palavras… A poesia dos textos, ou antes a busca dessa substância que nem sempre é fácil de encontrar, tornou-se em mim essencial, e não posso nem consigo parar de o fazer… Que sejam em vão ou não estas palavras, o tempo o dirá… Termino agora, de respiração ofegante, pele em chamas e alma de asas abertas, num estado de paz interior, que até à data, só assim consigo encontrar… E se de nada mais valer, mata-me esta louca sede…

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