No olhar de um Pincel – Parte 1

 
 
Tuas mãos de artista me pegavam como se de uma pluma se tratasse.
Eu dançava magistralmente sobre a tela, ao sabor dos teus sentidos. Mostrava aos outros o mundo que descobrias com esse olhar fascinado.
Era eu o leme da nau desses teus descobrimentos, em dias e noites de travessia em que criavas sonetos de cores ente goles de vinho tinto,
siderado, vidrado e alucinado, descompassado dentro do próprio compasso dessa mente sinuosa que apenas tu entendes, fazendo renascer vidas e almas e sopros alados de loucura.
Tocavas ao de leve na barba escura, como que invocando a musa para que, num ritual tão íntimo e tão apenas teu, te satisfizesse essa sede sem fim de inspiração a pairar na obscena atmosfera que te envolve…
Gotas de suor te escorriam pela face, contorcida, à medida que te entregavas por completo à criação.
Acreditavas, voavas, vivias através da arte, e eu, teu eterno companheiro, era, tal como a garrafa portadora do mapa do tesouro à deriva, testemunha desse momento que vezes e vezes sem conta nesse teu estranho compasso te elevava a alma a um mais alto nível e te fazia correr, em fim livre, o sangue pelas veias.
Tinhas corpo e coração, tinhas sonhos, fulgor e paixão enquanto pintavas.
Estilhaçavas aos poucos os horizontes da vida e eras feliz…
 
Leia aqui a Parte 2
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