8 º CNEC – Fetish

 

Como seria o sítio ideal para viver?

Lugar perfeito? – pergunto-me a mim mesmo com uma risada de satisfação surpreendente, saída do fundo da alma… lugar perfeito… o harém das fantasias carnais, livremente, por todo o lado, sem preço, sem consequência, sem nada a temer… o prazer, a excitação, o estímulo do corpo e do espírito revitalizando-nos até às entranhas do ser… sem tabus nem complexos…
Um mar sem fim de fitas de couro, de máscaras, de látex, de nylons e saltos altos e batons vermelhos escaldantes… e de curvas serpenteando pelos corpos de mulher onde – e por onde – nos perdemos com o olhar…
E de longos cabelos ondulando sedutoras danças ao vento… e botas altas de verniz reflectindo toda esta fantasia… e corpetes e chicotes… e varões e mordaças… e algemas e chapéus de polícia…
Lugar perfeito? – dou asas a esta mente vista como perversa neste mundo cinzento onde têm medo de sentir, de gostar, de gemer, de vibrar… porque acham que o sexo é demoníaco e vivem escondendo as fantasias, esperando encontrar um dia… só TALVEZ um dia… um companheiro a quem tenham coragem de confessar esses segredos recônditos na ínfima esperança que se venham a tornar friamente reais… um dia… e outra gargalhada me sai…
Com perfumes e óleos, incensos e velas… rímeis e cabeleiras… luzes, plumas, danças sem fim… sedução, jogo, adrenalina, conquista, amor, aventura, desgosto, amargura… VIDA!
Um lugar com vida… vida com prazer… sem inseguranças, sem medos… chorando, rindo, tremendo, gritando, agarrando com força os lençóis e amarrotando-os num acto de adoração mútua da beleza do ser… e aproveitando cada momento envoltos nessa onda de cetim e pétalas de rosa…
E outra gargalhada insiste em sair… seguida de um suspiro… mas PORQUÊ? Porque é que olham como um louco alguém que ama o mais puro ritual que nos torna humanos, que nos faz nascer e que ainda nos dá prazer e nos derrete o espírito num poético momento de fusão?
PORQUÊ? E outra gargalhada me sai, abafada pela percepção da realidade que começa tristemente a voltar… Escondidos ou não, existirão sempre impulsos, vontades, sonhos, abrigos, refúgios e fugidas a esse lugar perfeito… eu apenas prefiro dispor as peças no tabuleiro e jogar assumidamente…
E atingindo o clímax, esse momento em que o corpo sente realmente a alma à flor da pele, gritar sem amanhã:
CHEQUE-MATE!

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