8º CNEC – Uma noite inesperada

 

Um erro informático faz com que cerca de 400 pessoas ficam presas num pequeno departamento de uma empresa. Só há uma pequena máquina de snack e bebida.

Manuel estava desejoso de voltar a casa. Naquele dia, as horas pareciam passar mais devagar do que nunca, mas finalmente havia chegado o momento, tinha apenas de chegar ao carro e ir directamente a casa, veloz como uma seta. Sabia que a mulher e as filhas não iam, de forma alguma, esquecer-se do seu aniversário. E se ainda não lhe tinham dado os parabéns, era porque tinham alguma na manga. Adorava aquela sensação de ter tanta gente a pensar nele, como que sentia o cérebro vibrar, e quase podia ouvir os pedidos dos familiares e amigos: “Demora só mais um bocadinho, falta dar os últimos retoques e acender as velas”.
Nisto, apercebeu-se que as portas de abertura automática não estavam a funcionar. Chamou os colegas do departamento e a situação confirmou-se. Devido à maré de assaltos do ano passado, as portas eram agora feitas de vidro inquebrável. Tratando-se muito provavelmente de um erro informático, sabiam que iam ficar ali presos até ao dia seguinte, quando os colegas dos outros departamentos regressassem ao trabalho. Apressaram-se a avisar os familiares, mas depressa a preocupação deu lugar ao tédio. Já que tinham que passar o tempo juntos, que o fizessem da melhor maneira. Sabrina, a colega de cubículo de Manuel sabia que se tratava do seu aniversário e depressa se lembrou de avisar o departamento.
Quando Manuel deu por si, haviam efectuado uma videoconferência com a sua família e amigos que estavam reunidos à volta de um enorme bolo n local da festa surpresa, da qual ele já suspeitava. Havia música nos computadores e pequenos chocolates e refrigerantes da única máquina de snacks à disposição. Os cerca de quatrocentos empregados do departamento de marketing estavam bastante divertidos para uma festa improvisada.
Houve direito a filmes de terror pirateados, karaokes, música, fotografias da rambóia e, claro, não podia faltar um “Verdade ou consequência” para apimentar a coisa. Só não houve o champanhe, mas o brinde foi feito pelo écran.
No final, o que parecia vir a ser uma noite de tédio e desilusão para o Manuel, tornou-se numa mega party de quatrocentas pessoas com “Rock n’Roll all night!”

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