7º CNEC – Rodopios da vida

 

*Um homem esbarra contra uma antiga namorada. Ao seu lado está a sua actual mulher, grávida, e duas filhas pequenas. E ele sempre dissera à sua ex que não era o tipo de homem que iria casar e ter filhos. O que acontecerá?*

Passeava na rua, sentindo as pedras da calçada à medida que os pensamentos me levavam a um destino mais distante… pouco a pouco, a voz das miúdas foi ficando mais e mais baixa… deixei de sentir a mão da minha mulher que caminhava a meu lado, comecei a ouvir a voz da mente que pintava aos poucos manchas de um doce som – o dia tinha sido brindado por um Sol sorridente e eu aproveitava fazendo uma visita ao lugar onde o meu eu existe em liberdade. E a doce melodia transportava-me para um estado pleno que me enchia o peito de emoções.
De súbito, tudo desvaneceu, apagaram-se as manchas e calou-se o som num silêncio mudo que me ensurdeceu os sentidos. Atónito, deparo-me, numa realidade ainda difusa, com a minha ex-namorada… ou seria outra memória onde continuava a viajar? Num esforço por tornar à realidade recta, balbuciei o que a mim que soou a um bando de sons primitivos incompreensíveis, mas que no entanto obtiveram resposta… E conversámos e saboreámos o som das palavras e imaginámos como seria a vida com todos os “ses” transformados em “sims” e em “nãos”… e apercebemo-nos daquilo que mudou e do que permaneceu e do que o vento levou e das marcas que deixámos um ao outro. Em pouco tempo de conversa viajámos ao passado e ao futuro intermitente e relembrámos momentos e histórias e mergulhámos em memórias sem sequer nos apercebermos… E olhámos de relance para as danças envoltas na poeira do passado… Sim, conhecê-la foi uma dança… E aprendi com ela a ver a vida como um misto de compassos artísticos…
E realmente num espaço de poucos anos, ao ritmo de um quickstep com um cheirinho a tango, tudo tinha mudado, conheci a Mafalda em rodopios da vida, mordi a rosa vermelha num tom de sedução e entre passos a dois dançámos o tango do amor. Despertou nela o desejo de ser olhada por olhos de uma criança, e a partir daí as danças foram outras: Nasceu a Sofia há 7 anos, lembro-me como se fosse ontem… Dois anos mais tarde, o desejo voltou a bater à porta… nove meses de compasso e veio ao mundo a Raquel… Este ano, em Fevereiro quisemos dançar o tango mais uma vez, vem a caminho o Guilherme.
O palco da vida encarregou-se de mudar de bailarinos, mas eterna será sempre a memória dos nossos aplausos…

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