7º CNEC – Espírito Assimétrico

 

(Imagem original http://www.flickr.com/photos/candygears/4273917376 – editada)

 

*Escreva uma história que avance somente através do diálogo. Nada mais: nem narração, nem descrição. Nada.*

– Mas que… o que aconteceu ao carro?
– Cala-te! Perdeste a cabeça? Se continuas com essa barulheira ainda te dão mais uma injecção daquelas e, aí sim, é a morte do artista!
– Hã? Quem está aí? Aparece! Não é altura para brincadeirinhas. Importas-te de me dizer que raio de sítio é este? O que é que fizeram ao meu carro? Está quase na hora! Tenho de ir!
– Sempre foste um bocado tapado, realmente, mas tanto… já olhaste bem à tua volta?
– À direita uma mulher, do outro lado um velhote… estão tão pálidos!
– Ó meu lerdo acorda para a vida! Não vês que estão mortos?
– O quê? Vida? Mortos? Mas o que é que estou aqui a fazer?
– Olha, talvez pelo teorema de Pitágoras… ora sexta-feira, bananas, noves fora nada: Estás morto, Einstein!
– Como? Não estou a achar piada nenhuma! Mas que raio é que me havia de calhar agora… deixa-me em paz e tira-me daqui que tenho de ir para a reunião, faltam 5 minutos!
– Pois faltam, realmente faltam 5 minutos, há 3 dias atrás!
– Já chega porra! Estás a começar a irritar-me a sério! Aparece estupor antes que te parta a boca toda!
– Essa é boa, muito boa. Tu? Partires-me a boca toda? Impossível! Primeiro porque nem te consegues mexer, segundo, mesmo sendo tão estúpido, não chegas ao ponto de te auto mutilares.
– Ó palhaço, já que te achas tão inteligente porque é que não dás a cara de vez? Assim pode ser que te cuspa em cima e te deixes de gracinhas! Tira-me daqui caralho!
– A sério que devias ser comediante… e depois o palhaço sou eu! Não percebeste ainda que eu sou tu e tu és eu? Só que tu és a metade morta e eu sou a metade viva, por isso é que ainda não chegaste ao sítio cheio de unicórnios e arco-íris a que chamas céu, princesa!
– Ok, feitas as apresentações, como é que saímos daqui ó engraçadinho?
– Amigo, lamento desiludir-te, mas daqui só sais para a cova! Aproveita mas é as últimas horinhas enquanto podes e estica as pernas que algo me diz que lá em baixo vamos ficar um bocadinho ferrugentos.
– Vem aí o cangalheiro! Últimas palavras?
– Tempo para conversar é o que não nos vai faltar lá em baixo…

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