7º CNEC – Documentos enigmáticos

 

*Uma secretária tem uma forma muito especial de classificar e organizar as suas pastas e documentos. Qual é essa forma? E o que provoca isso?*

Mais um dia no escritório. Dr. Noronha, o chefe, tinha acabado de telefonar à secretária pedindo que lhe levasse ao gabinete a pasta com os documentos do novo cliente da empresa.
– Excelente oportunidade – pensou a secretária. Referia-se, claro, a poder demonstrar novamente a sua paixão secreta pelo Dr. Noronha, montando mais um dos seus esquemas mirabolantes para mandar “bilhetinhos amorosos” ao chefe sem que mais ninguém desse por isso. De certo modo ela sabia que o Dr. admirava esse seu lado enigmático, embora não o demonstrasse.
Começou então a organizar cuidadosamente os documentos. Era o momento certo, sentia-o nas veias. Ia declarar-se.
Há tantos anos na gerência da empresa, o Dr. não ia, certamente, sentir-se atrapalhado pela falta de uma mísera letra aqui e acolá, e o mais certo era o cliente nem reparar… afinal de contas, eram apenas letras numa pesada pasta a abarrotar de folhas. Sendo ela fiel secretária do Dr. Noronha, Glória sabia muito bem, no meio de toda a burocracia típica, quais as páginas a que o Dr. iria ter mais atenção – eram essas as presas a atacar.
Então, pegou na sua preciosa ferramenta de trabalho: o brilho metálico das lâminas da tesoura reflectia o sorriso nervoso que lhe proporcionava toda a situação, à medida que, cuidadosamente e com a perícia de um cirurgião, recortava por ordem as letras que, após o remexer das engrenagens na cabeça do Dr. Noronha, iriam clarificar a seguinte mensagem:, “Após tantas mensagens escondidas, de certo já se apercebeu do carinho especial que nutro por si. A verdade é que o amo.”
O telefone tocou novamente, era o chefe a pedir que Glória se despachasse. Com a ânsia do momento, Glória estava a demorar mais que o habitual, o que dava ao Dr. a certeza que estava a engendrar mais um dos seus esquemas, deixando-o secretamente animado.
Glória apressou-se e levou a pasta ao gabinete. O Dr. recebeu-a com a mesma expressão fria do costume, disfarçando o nervoso miudinho que ia crescendo à medida que abria a pasta. Glória saiu e dirigiu-se ao seu posto, ficando a contar os minutos, ansiosamente.
Assim que o cliente saiu, o Dr. começou a juntar as letras uma a uma. Quando chegou ao resultado, chamou Glória ao gabinete. Ao reparar que não levava nenhuma pasta na mão, toda a empresa ficou num leve burburinho.

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